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Lasers em Oftalmologia e suas controversias

04.04.2009

A palavra Laser é uma sigla que significa Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation. Mistificaram as suas aplicações à cura de males dantes inimagináveis de recuperação. Ë sabido que, com o advento do laser, muitas patologias foram amenizadas, como no caso da retinopatia diabética, outras obtiveram cura cirúrgica como o glaucoma e outras ametropias foram corrigidas por aplicação do laser. Contudo, nem tudo é resolvível, na sua plenitude, com a aplicação pura e simples do laser - este é o caso das cirurgias e vou me deter à cirurgia da catarata.

Hoje já bastante difundido, a cura cirúrgica da catarata, dá-se por procedimento cirúrgico na técnica da facoemulsificação, procedimento de baixo trauma, fácil recuperação pós operatória e, o que é melhor, um grau de satisfação plena por parte dos pacientes, fato este decorrente da plena recuperação da função visual. Discorrendo um pouco sobre esta técnica, é basicamente a destruição do cristalino em seu sítio, aproveitando-se as suas cápsulas para, de forma segura, implantar-se a nova lente que entre nós chamamos de lente intra ocular LIO. Para que esta técnica seja coberta de bom resultado, necessita que o cirurgião domine a técnica e sobretudo tenha em mente que está a utilizar um instrumento que propaga ondas ultra-sônicas e que estas ondas vão causando destruição nas camadas que compõem o cristalino. Assim sendo, é uma técnica segura, a partir do momento em que o cirurgião ultrapassa a sua curva de aprendizagem.

Portanto, banalizar a facoemulsificação é, no mínimo, desconhecer o básico de qualquer ato cirúrgico, desconhecer os limites humanos e imaginar-se superior às intercorrências. Conseqüentemente, coloca-se erro médico com o significado de intercorrências. Por certo que, quando se banaliza qualquer procedimento cirúrgico, incorre-se inevitavelmente na negligência médica, passiva de punição, visto que faz parte do nosso código de ética.

De forma simplista, tem ocorrido com freqüência na nossa experiência clínica, questionamentos no que tange à “nova técnica de cirurgia de catarata por laser”. Ora, a tecnologia está a desenvolver equipamentos que, por certo, serão utilizados como fonte de destruição das camadas cristalinianas: ou seja, o laser em vez do ultra-som. Contudo, estes equipamentos encontram-se em forma de protótipo e, do nosso conhecimento e vivência em congressos, ainda não superaram o ultra-som. Sabemos que, se houve um questionamento desta ordem é que, por certo, a este mesmo paciente foi-lhe informado isto como coisa rotineira. Seguindo este raciocínio, está passivo de punição todo profissional que utiliza de meios ilícitos para auto promoção. A técnica de catarata, tanto pela facoemulsificação ultra-sônica ou a laser, tem por objetivo o mesmo fim. Os tempos cirúrgicos não mudam, a curva de aprendizado é a mesma, a habilidade cirúrgica é a mesma, enfim para o mesmo procedimento o mesmo método. Mente, portanto, quem de forma irresponsável engana as pessoas de boa fé inventando como novidade um grande engodo.

Rogamos a todos os santos que estes equipamentos venham, quando disponíveis, para diminuir as possíveis intercorrências advindas da facoemulsificação por ultra-som.

José Martins Leitão Guerra Filho
Médico Oftalmologista

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