Avanço tecnológico permite diagnósticos
O acelerado avanço tecnológico tem disponibilizado, no presente, a chamada Medicina do Futuro, onde diagnósticos de doenças são realizados precocemente, evitando desta maneira a sua evolução. Um exemplo disso é o que está ocorrendo na oftalmologia, em relação ao glaucoma. Hoje, através de um exame feito com o equipamento de última geração, o GDx-VCC, é possível antecipar em até seis anos - através da análise da camada de fibras nervosas da retina - lesões que poderiam surgir no campo visual do paciente. "Esta antecipação no diagnóstico é de extrema importância para o tratamento do glaucoma e seu prognóstico", alerta a oftalmologista Dalise Garcez Leitão Guerra Freaza, coordenadora do Departamento de Glaucoma da Oftalmoclin.
O glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no Brasil, sendo superada apenas pela catarata. Segundo a oftalmologista, a estimativa é que somente no Brasil 900 mil pessoas acima de 40 anos tenham a doença. "Ao questionarmos qual a evolução do glaucoma em relação ao tempo, logo imaginamos os danos causados por esta doença ao nervo óptico. Deste modo, hoje, através de uma avaliação feita com este equipamento, conseguimos identificar, de forma mais segura, os indivíduos portadores de glaucoma, bem como aqueles suspeitos de glaucoma", afirma a especialista.
O GDx-VCC é o modelo mais atualizado no mercado e apresenta um grande diferencial em relação à versão anterior. O principal benefício é que os resultados dos exames já não sofrem tantas alterações que poderiam ser causadas por outras doenças como é o caso da catarata. "O modelo antigo mostra artefatos de imagem, como imagens fantasmas, que dificultam e comprometem o diagnóstico", afirma Freaza.
Desinformação - O maior aliado do glaucoma ainda é a desinformação. Embora possa causar cegueira irreversível, continua desconhecido por mais de 80% da população. "Na clínica atendemos uma média de 400 pacientes por mês com suspeita de glaucoma, sendo que a grande maioria não apresenta sintomas e não tem conhecimento sobre a doença e seus danos à visão", disse ela. Além disso, afirma Dalise Garcez, os pacientes não sabem que através de uma consulta com o seu oftalmologista, pelo menos uma vez por ano, e através de exames simples e rápidos, o glaucoma pode ser descoberto e seu tratamento ser iniciado, impedindo assim, a progressão da doença.
O tratamento inicial do glaucoma é clínico, à base de colírios que reduzem a pressão ocular que se encontra elevada. Em alguns casos, geralmente quando o tratamento inicial não está se mostrando suficiente para conter essa pressão elevada, utilizam-se procedimentos a laser. O tratamento cirúrgico é deixado como última opção, por ser um procedimento invasivo, com um risco maior para o paciente. O risco de ser portador de glaucoma aumenta com a idade. Outros fatores de risco são: raça negra, hipertensão arterial, diabetes, história de glaucoma na família, altos graus de miopia, longo tempo de tratamento com córticoesteróides, traumatismos e doenças intra-oculares. Pessoas que possuam um ou mais fatores de risco são capazes de desenvolver a doença.
Num futuro não muito distante, acredita a médica, quando equipamentos como o GDx-VCC estarão cada vez mais atualizados e disponíveis para toda a população, a incidência de pessoas com cegueira provocada pelo glaucoma será muito menor. "A medicina preventiva não tem o poder de extinguir doenças com esta, pois trata-se de uma patologia associada também a fatores genéticos.O diagnóstico precoce, porém, poderá evitar a sua progressão e seus efeitos", afirma ela.
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